
Theo já dorme sozinho no próprio quarto. "Ohhhh, tadinho!", todo mundo diz isso, que muito me irrita, assumo. Mas tadinha é da criança que vincula o sono à mãe, com um discurso materno da necessidade da criança perante ela. Mas na verdade, essa necessidade é emocional da mãe, e não da criança.
Conheço uma pessoa que tem um filho de 5 anos de idade que até hoje dorme com o berço ENCOSTADO na cama do casal. Perguntei a ela o porque. Ela disse: "ai, tenho medo dele sufocar a noite..." ELE TEM 5 ANOS DE IDADE, PELOAMORDEDEUS! As pessoas REALMENTE acreditam no drama que elas mesmo inventam para suas próprias vidas?
Enfim. Antes do Theo nascer, o acordo aqui em casa era dele ir pro quarto dele com 6 meses. Mas na prática a gente vai vendo a real necessidade temporal das coisas.
Assumimos o entendimento de que é tudo um PROCESSO nem um pouco fácil. E cada um sabe de si, do filho que tem, do casamento que tem, das próprias inseguranças, enfim. Como eu só sei de mim, falo da MINHA experiência:
Quando chegamos da maternidade, eu não queria o Theo longe de mim hora nenhuma. Quase 10 meses ele passou aqui, na minha barriga, onde só restou o vazio da sua ausência. Era uma necessidade emocional MINHA de tê-lo por perto o tempo inteiro e uma necessidade física DELE de ter alguém por perto o tempo inteiro.
Além do quarto dele todo montadinho, ele tinha um moisés, um miniberço, que ficava no nosso quarto, do lado da minha cama, colchão com colchão, da forma que mesmo deitada, de madrugada, era só eu colocar a mão lá dentro, de hora em hora, de minuto em minuto, a noite inteira, pra ver a temperatura, se ele estava respirando... enfim, todas essas neuras que colocam nas nossas cabeças com histórias horrorosa (Por que as pessoas CISMAM em contar histórias super trágicas pra grávidas e mães de primeira viagem?).
Todo dia a noite eu olhava pro bercinho dele e rezava pedindo a Deus pra encontrar meu filho vivo pela manhã (oi?). Pois é. Olha o nível... a gente fica assim.
E assim foi por 30 dias... até aos poucos, eu perceber, que não, meu filho não ia morrer sufocado com o travesseiro, nem com o lençol, que ele não ia engolir o próprio vômito e entrar pro pulmãozinho dele... Foi então que tomei a grande decisão de começar o processo de afastamento-noturno-mãe-e-bebê. Pra saúde mental minha e dele...
E assim, então, no dia do 1º mêsvesário, Theo tomou o graaande primeiro passo de independência, afastando o moisés dele para... óóóó... 2 metros da minha cama! kkkk! É sério! Não falei que é tudo um processo? Meu criado mudo voltou para o seu local de origem e o moisés foi pro lado da cama, mas agora não mais rente à ela.
Vocês estão pensando que foi fácil? Não dormi nas duas primeiras noites! Mas, mais uma vez fui me acostumando e com o passar das semanas, novamente, eu percebi que não, ele não iria morrer "longe" de mim... Então, conversando com o marido, decidimos que com 3 meses, assim que ele abandonasse as mamadas de 2 horas, Theo iria para o quarto dele. Não tinha necessidade dele ficar ali até os 6 meses...
E durante o dia, eu passei a habitua-lo com aquele espaço, o berço, dando continuidade ao processo. Antes, ele tirava as sonecas da tarde na minha cama, ou carrinho. Passei a colocar no berço pra ele se familiarizar com ele.
Maasss, o tempo foi passando e eu comecei a encontrar o Theo muito pra baixo, ou muito pra cima, de onde eu o tinha colocado a noite. Ele estava se movimentando muito, e o moisés era pequeno pra isso. Fiquei com medo dele colocar a mão ou o pé, mesmo com a proteção das almofadinhas, pra fora das grades e ele se machucar.
Foi assim então que no dia do 2º mesversário dele, Theo foi pro seu próprio quartinho! E eu? Eu fui junto! kkk
Na primeira noite, abençoei o medalhão do anjo da guarda dele e pendurei no berço. E pedi MUITO a Deus, por um exército de anjos guardando o meu pequeno. Pedi sabedoria e orientação para mim, podendo sempre olhar por ele, cuidar dele e pedi também, pro seu anjo da guarda atuar quando eu falhar. Porque sim, eu falharei. E lidar com essa realidade é duro, mas necessário.
Então dormi com ele lá, por 1 semana... Foram 7 dias tranquilos, Theo foi largando a mamada das 2 horas, e durante esses 7 dias foi me dando saudades da minha cama, do meu marido... kkk, rapidinho voltei pro meu quarto. Óbvio, que deixei lá uma babá eletrónica, microfonada, no volume máximo no meu criado mudo. Theo sussurrar de lá, e aquilo se amplifica pelo meu quarto todo, na maior altura, kkk. Óbivo, que nos 5 primeiros dias eu não dormi, não relaxei...
Mas agora está tudo no mais perfeito estado! Dá 11 horas da noite (aqui em casa todos temos o péssimo hábito de dormir tardíssimo), ele mama, coloco ele acordado no berço, dou benção, beijinho e despeço. Volto 5 minutos depois pra olhar, ele já está no milésimo sono, sem dar uma resmungada.
Então ele dorme direto até às 5h, quando ele começa a resmungar de fome, mama dormindo mesmo, durante 15 minutinhos, e volta pro berço. Por volta das 6 e pouca da manhã, ele acorda sozinho, brinca sozinho com o móbile, dá altas risadas e altas conversas com ele. E eu? Nem levanto, continuo dormindo, ou ficamos eu e cris morrendo de rir lá, deitadinhos na nossa cama, das risadas dele pela babá. Então ele cansa e uns 40 minutos depois volta a dormir sozinho.
[Bebês tem que aprender que aquele espaço é dele, não só para dormir. Não se deve pegar o bebê do berço imediatamente quando ele acorda.]
Então por volta de 8 e pouca, quase 9 horas, ele acorda resmungando/chorando pra mamar denovo. Aí levo ele pra minha cama (erradíssiimooooo, mas cá entre nós, é uma delícia), onde dou o peito dormindo. Geralmente ali permanecemos dormindo até umas 10, 11 horas.
Então, é isso, essa é a minha experiência. Acho que sim, Theo foi muito prematuramente pro quarto dele. Mas deu certo! Cada criança e cada pais tem seu próprio tempo... Mas passou de 1 ano de idade a criança já está EM COMPLETAS CONDIÇÕES de dormir sozinha, né gente?